Evento acontece no dia 22, das 13 às 16 horas, no plenário do legislativo

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Troféu Jatobá: mestre da capoeira é homenageado

Honraria se deve ao trabalho social do mestre Takinha
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Texto: Francisco Cabral
Na mesa de trabalho, da esquerda para a direita: Juliana, Takinha, Carlone, Guilherme, Leda e Marluce
Fotos: Rafael Matias
Na mesa de trabalho, da esquerda para a direita: Juliana, Takinha, Carlone, Guilherme, Leda e Marluce

A Câmara Municipal de Jataí realizou no dia 5 de novembro de 2026, no plenário João Justino de Oliveira, uma sessão solene para homenagear Jefferson Fagundes, conhecido como Mestre Takinha, com o Troféu Jatobá. A solenidade, de autoria do vereador Carlone Assis, com aprovação de todos os parlamentares, reconheceu a trajetória do capoeirista jataiense no desenvolvimento terapêutico, educativo e de inclusão social por meio da capoeira adaptada para pessoas com deficiência.

A cerimônia foi aberta com um momento de oração conduzido pela pastora Tatiane Gomes, que ressaltou o papel da inclusão no trabalho do homenageado. "Quando a gente lê o currículo do mestre Takinha, a gente vê a habilidade e característica de trazer todos para perto, para trazer essa unidade e celebrar a vida de cada pessoa", disse ela. Durante os atos formais, a Mesa Diretora procedeu à leitura da justificativa do decreto, destacando a carreira internacional de Fagundes e sua atuação junto a crianças autistas e com paralisia cerebral, seguida pela exibição de uma reportagem em vídeo sobre os projetos sociais do capoeirista.

A gestora da Escola Érica de Melo, Leia Soares, enfatizou o pioneirismo do homenageado nas ações de inclusão. "A gente hoje em dia tá falando muito de inclusão e você já faz esse trabalho antes desse boom da pessoa com deficiência. O esporte, a arte, ela é universal e ela ultrapassa as barreiras tanto sociais quanto físicas", declarou Soares.

Mestre Takinha cantou e tocou berimbau durante a solenidade
Mestre Takinha cantou e tocou berimbau durante a solenidade

Em seguida, a presidente da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Jataí, Marluce Cabral, relatou o impacto emocional de ver a aplicação da capoeira adaptada nas instituições de ensino especializado. "Quando eu conheci, que eu vi o Takinha jogando capoeira com as crianças da Apae, com meu filho, eu desmanchei. Foi uma importância tão grande de ver o quanto é grande o amor dele de estar ali com as crianças, de ter estudado para estar cada dia melhor por elas", afirmou Marluce.

A esposa do homenageado, Juliana Lopes França, expressou gratidão pelo reconhecimento público da dedicação da família ao projeto social. "É agradecer mesmo o reconhecimento de um trabalho que a gente abraçou há muitos anos atrás, leva para casa e aprende cada dia mais", declarou Juliana.

O vereador Guilherme Alves destacou a importância de apoiar políticas públicas voltadas às entidades e famílias atípicas do município. "Amar ao próximo não é apenas falar, é agir, é estender a mão e enxergar quem muitas vezes passa despercebido. E é isso que você faz quando trabalha com as crianças, com os jovens e as pessoas com deficiência, mostrando que cada ser humano tem seu valor e suas capacidades", afirmou Alves.

Ao usar a palavra, o homenageado Jefferson Fagundes relembrou sua infância humilde no município e detalhou sua caminhada até a expansão internacional do método da capoeira adaptada. "Esse pedaço de pau e esse arame, essa cabaça que qualquer pessoa encontra no seu quintal é minha caneta, é meu passaporte. Ele abriu todos os lugares que fui", disse Fagundes ao empunhar o berimbau no plenário. "Não adianta chegar com pedaço de papel, com canudo de pós ou doutorado se você não estiver ali de coração para sentir a dor de uma mãe e de um pai. Sem ilusão não há inclusão", completou. Ao final de sua fala, Fagundes cantou uma composição de sua autoria dedicada às mães de pessoas com neurodivergências.

No encerramento da solenidade, o presidente da sessão e autor da proposição, vereador Carlone Assis, defendeu o fortalecimento de investimentos na saúde e assistência social, mencionando propostas para a criação de um centro especializado no atendimento a crianças autistas e de uma secretaria dedicada à inclusão em Jataí. "Se nós não formos reconhecer um filho de Jataí que saiu desta cidade e construiu uma história tão bonita e respeitada no Brasil e no mundo inteiro, quem vai? A sua casa e a sua comunidade têm que aplaudir. Acima de qualquer crítica, para mim importa trabalhar e fazer o bem", concluiu o parlamentar antes de declarar encerrada a sessão.


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