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Público - 14 de Abril de 2026 às 14:05 - por: Francisco Cabral Público - 14 de Abril de 2026 às 14:05 - por: Francisco Cabral Privado - 14 de Abril de 2026 às 14:04 - por: Francisco Cabral Privado - 14 de Abril de 2026 às 14:04 - por: Francisco Cabral Privado - 14 de Abril de 2026 às 14:04 - por: Francisco Cabral Privado - 14 de Abril de 2026 às 14:04 - por: Francisco Cabral

Jataí perde Binômino da Costa Lima, o Meco

Ambientalista, pesquisador e escritor morreu aos 95 anos
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Texto: Francisco Cabral

Morreu no dia 14 de abril de 2026, aos 95 anos, vítima de pneumonia, o ambientalista e escritor Binômino da Costa Lima. Nascido em 13 de julho de 1930, na fazenda Bonfim (em Jataí, na época, mas hoje pertencente a Perolândia), foi uma referência em termos de meio ambiente, história do município e da região e povos do cerrado. Mais conhecido como Meco, foi o primeiro doutor honoris causa da Universidade Federal de Jataí (UFJ). Ele deixa sete filhos, 18 netos e 11 bisnetos.

“Seu” Meco foi pesquisador, naturalista, ambientalista, escritor e conferencista. Com o tempo, tornou-se referência quando se fala em meio ambiente e povos do cerrado. Das homenagens recebidas, uma das mais importantes com que já foi agraciado é o Título de Notório Saber, conferido pela então Universidade Católica de Goiás (hoje Pontifícia Universidade Católica).

Foi também agraciado com o prêmio Rodrigo Melo Franco, em 2001, entregue todos os anos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília. Em documento, o Iphan assim explicou o prêmio concedido a Meco: "Exemplo de vida e trabalho dedicados ao estudo e preservação do bioma cerrado e iniciativa pessoal de apoio a universidades e instituições na divulgação da importância do patrimônio natural e arqueológico brasileiro”.

Fundou em 1985 a Seja, a Sociedade Ecológica de Jataí, ainda hoje voltada para a defesa das questões ambientais. É autor do livro “Primeiros Fazendeiros do Sudoeste Goiano e do Leste Mato-Grossense: Genealogia e História”, em co-autoria com Almério Barros França, publicado em 2004.

Binômino da Costa Lima foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, já fez inúmeras conferências e palestras em eventos importantes, como o Fica (Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental), realizado todos os anos na cidade de Goiás. Seu nome já nomeia uma das estações de ciência do complexo do Instituto do Trópico Subúmido, da PUC-GO, a Estação Ciência
Binômino da Costa Lima, que funciona no Parque Ecológico de Goiânia. O Parque da Ciência da então Regional da Universidade Federal de Goiás (UFG) em Jataí também ganhou o nome do pesquisador.

Foi referência na região quando se trata de falar sobre o cerrado e a história do município, o que o transformou em fonte fundamental para pesquisadores universitários e estudantes de todos os níveis. Inúmeras dissertações de mestrado e mesmo de doutorado fazem referência ao seu trabalho.

Foi de suma importância nas prospecções arqueológicas que resultaram na descoberta do “homem  da Serra do Cafezal”. Na verdade, o mérito da descoberta das grutas de Serranópolis coube ao pesquisador Binômino da Costa Lima. Foi ele que, em 1975, indicou à equipe do Programa Arqueológico de Goiás a existência de numerosos abrigos no vale do rio Verde, afluente do rio Paranaíba.

Todos esse predicados levaram o poder público a dar seu nome a um dos mais novos parques urbanos do município, Parque do Olho d'Água Binômino da Costa Lima, em função da importância de “seu” Meco na preservação ambiental e da história do cerrado no Sudoeste Goiano, importância que extrapolou os limites do município e colocou-o no pódio do reconhecimento regional e nacional.

Em uma decisão histórica, o Conselho Universitário da Universidade Federal de Jataí aprovou, no dia 29 de maio de 2024, a concessão do primeiro título de doutor honoris causa da instituição a Binômino da Costa Lima. A honraria destaca não apenas a trajetória exemplar do homenageado, mas também a sua significativa contribuição para a ciência e o desenvolvimento da região Sudoeste do estado de Goiás.

A UFJ lembra que Meco foi um autodidata apaixonado pelo conhecimento, que sempre se destacou por sua incansável curiosidade e dedicação à pesquisa. Desde jovem, ele se envolveu em diversas iniciativas científicas, focando principalmente em estudos sobre a biodiversidade local, arqueologia, práticas sustentáveis de agricultura, entre muitas outras. Sua atuação na preservação do cerrado e na promoção de técnicas agrícolas inovadoras têm sido reconhecida tanto por acadêmicos quanto por produtores rurais, registrou o site da instituição.

“A importância do título de doutor honoris causa vai além do reconhecimento individual”, prosseguiu o texto da UFJ. “Trata-se de um marco para a instituição, que reforça seu compromisso com a valorização de figuras que, mesmo sem formação acadêmica formal, contribuem de maneira substancial para o avanço do conhecimento e o desenvolvimento sustentável. Ao conceder este título a Seu Meco, o Conselho Universitário reconhece a sabedoria e a experiência que ele acumulou ao longo de décadas de trabalho árduo em prol do cerrado, da história e da cultura goianas”.

“A contribuição de Seu Meco para a região do Sudoeste Goiano é imensurável. Ele não apenas ajudou a preservar espécies nativas do cerrado, mas também promoveu práticas agrícolas que aumentaram a produtividade e a sustentabilidade das propriedades rurais locais. Sua influência é visível nas técnicas adotadas por muitos agricultores da região, que reconhecem nele um verdadeiro mentor e amigo”, afirmou o conselho.

“As pessoas o definem como um cientista nato, alguém detentor de um vasto conhecimento enciclopédico, reconhecido como um pesquisador autodidata, defensor do meio ambiente. Transita entre o científico e o literário. Quanto ao científico, ele tem pesquisas em diferentes áreas, principalmente arqueologia, genealogia, geologia, botânica, zoologia, desde a década de 1950 até a presente data”, destaca o parecer da comissão que avaliou o mérito do título.

Com a concessão do título de doutor honoris causa, a universidade objetivava inspirar novas gerações a valorizar e buscar o conhecimento em todas as suas formas, promovendo um diálogo mais amplo entre a academia e a comunidade. De acordo com a instituição, a história de “seu” Meco serve como um lembrete poderoso de que a sabedoria pode ser encontrada nos lugares mais inesperados e que o verdadeiro conhecimento é aquele que beneficia a todos.