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Público - 29 de Junho de 2026 às 10:41 - por: Francisco Cabral Público - 29 de Junho de 2026 às 10:41 - por: Francisco Cabral Privado - 29 de Junho de 2026 às 10:36 - por: Francisco Cabral Privado - 29 de Junho de 2026 às 10:36 - por: Francisco Cabral Privado - 29 de Junho de 2026 às 10:36 - por: Francisco Cabral Privado - 29 de Junho de 2026 às 10:35 - por: Francisco Cabral Privado - 29 de Junho de 2026 às 10:35 - por: Francisco Cabral Privado - 29 de Junho de 2026 às 10:34 - por: Francisco Cabral Privado - 29 de Junho de 2026 às 10:34 - por: Francisco Cabral

Situação do HEJ é debatida em audiência pública

Hospital Estadual de Jataí Dr. Serafim de Carvalho tem sido motivo de polêmicas
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Texto: Francisco Cabral
Hospital Estadual de Jataí Dr. Serafim de Carvalho tem sido motivo de polêmicas
Fotos: Rafael Matias

A Câmara Municipal realizou no último dia 26 de junho uma audiência pública para discutir a situação administrativa, operacional e assistencial do Hospital Estadual de Jataí Dr. Serafim de Carvalho (HEJ). A reunião foi motivada pelo requerimento nº 271/2026, apresentado por todos os vereadores e aprovado em plenário após sucessivas reclamações da população sobre atendimento, substituição de equipes médicas, demora na realização de consultas, exames e cirurgias, dificuldades na regulação de pacientes e escassez de profissionais. 

O evento ocorreu no plenário João Justino de Oliveira e foi conduzido pelo presidente da Câmara, Marcos Patrick. Também compuseram a mesa o vice-presidente Lazinho do Asfalto, o secretário da Mesa Diretora, Luciano Lima, os vereadores Abimael Silva, Carlone Assis, Carlinhos Canzi, Guilherme Alves e Kátia Carvalho, além de representantes da Secretaria de Estado da Saúde, da direção do hospital, da organização social Agir, do Ministério Público, de profissionais da saúde e da comunidade. 

Na abertura dos trabalhos, Marcos Patrick afirmou que a audiência tinha como objetivo ouvir a população e reunir informações que subsidiem providências sobre a situação da unidade hospitalar. "Quem quiser fazer uso da palavra faça sua inscrição. Queremos ouvir relatos, acontecimentos e provas que possam contribuir para este debate", declarou. 

A primeira manifestação foi da representante de um grupo de apoiadores da saúde pública, Sinara Alves. Ela afirmou que o movimento reúne mais de 400 integrantes e apresentou abaixo-assinados, vídeos e relatos de usuários do hospital. "Estamos aqui para lutar por uma saúde melhor. Queremos que o Hospital Estadual seja o melhor do Estado de Goiás. Estrutura nós temos; precisamos de profissionais capacitados para atender a população", disse. 

O médico Francis Natal Gouveia, ex-coordenador da equipe de urgência e emergência do hospital, fez o pronunciamento mais longo da audiência. Segundo ele, sua manifestação pública teve como objetivo alertar para problemas decorrentes da substituição da equipe médica após processo licitatório conduzido pela organização social responsável pela administração da unidade.

"O meu compromisso é com os pacientes e com a população. Não tenho compromisso com Organização Social nenhuma", afirmou.

Durante sua exposição, Francis sustentou que a contratação de empresas para prestação dos serviços médicos resultou na substituição de profissionais experientes por médicos recém-formados, o que, segundo ele, comprometeu a qualidade da assistência.

"Não estamos contestando a licitação. Estamos contestando o serviço prestado. Na saúde não há tempo para esperar. Ou faz o correto ou paga para ver", declarou.

O médico também criticou o modelo de contratação utilizado para selecionar empresas prestadoras de serviços médicos. "Essas empresas exploram o trabalho do médico e acabam afastando profissionais qualificados. O objetivo delas é ganhar dinheiro, enquanto quem perde é a população", afirmou.

Público presente teve oportunidade de se manifestar
Público presente teve oportunidade de se manifestar

Apesar das críticas, Francis declarou que estaria disposto a voltar a atuar no hospital caso houvesse entendimento entre as partes. "Se entenderem que minha equipe deve voltar, estaremos prontos para trabalhar juntos e fortalecer o hospital. O objetivo sempre foi oferecer atendimento de qualidade à população", disse. 

O técnico de enfermagem Paulo também utilizou a tribuna para relatar dificuldades enfrentadas pelos profissionais ao longo dos últimos anos. Segundo ele, problemas estruturais sempre existiram, mas o relacionamento entre as equipes se deteriorou.

"Precisamos de humildade. Não adianta tratar os profissionais com falta de respeito. A equipe só consegue prestar um bom atendimento quando trabalha unida", afirmou. 

Entre os inscritos, a estudante da Universidade Federal de Jataí Sueide Ferreira Martins apresentou um caso clínico envolvendo uma paciente atendida no Hospital Estadual. Segundo ela, após sofrer um acidente, a mulher teria sido liberada e posteriormente procurado outro hospital, onde foram constatadas lesões mais graves.

"Se a família não tivesse buscado outro atendimento, será que ela estaria viva hoje? Nós estamos aqui representando pessoas que não conseguem vir denunciar essas situações", declarou. 

A moradora Poliana chamou atenção para a dificuldade de acesso à neurologia e questionou a direção da unidade sobre a disponibilidade de especialistas para atender pacientes com epilepsia e outras doenças neurológicas.

"Gostaria de saber se o hospital está preparado para atender esses pacientes, porque essa é uma necessidade antiga da população de Jataí", afirmou. 

Em resposta, o diretor técnico Pedro explicou que a neurologia integra as especialidades previstas para o Hospital Estadual, mas informou que o processo de contratação ainda estava em andamento.

"Existe um processo licitatório aberto para neurologia. Tivemos empresas que desistiram da contratação e o processo precisou ser reaberto. Seguimos os trâmites legais para concluir essa contratação", explicou. 

Outra participante da audiência, Gislane Maia, afirmou ter conhecido o trabalho do médico Frances por meio de relatos de pacientes e defendeu mudanças na administração do hospital.

"Nós estamos lutando pela população. Qualquer pessoa pode precisar do hospital durante a madrugada. Precisamos garantir atendimento de qualidade para todos", declarou. 

Representando a Organização Social Agir, responsável pela gestão da unidade, o diretor-geral André Alves dos Santos afirmou que a instituição respeitou integralmente a legislação nos processos de contratação e negou qualquer direcionamento em relação às empresas participantes.

"Seguimos rigorosamente os preceitos da administração pública e da legislação federal. Não temos compromisso com empresa nenhuma. Se a empresa contratada não prestar um atendimento adequado, ela será substituída", afirmou.

André também reconheceu que o hospital ainda enfrenta desafios, mas afirmou que houve avanços desde o início da atual gestão.

"Estamos aqui para prestar contas à população. Sabemos dos problemas existentes e estamos trabalhando diariamente para melhorar o atendimento", disse. 

Após a manifestação da direção da Agir, Francis voltou a rebater os argumentos apresentados, reiterando que sua crítica se concentrava na qualidade da assistência oferecida aos pacientes.

"Não estamos discutindo a legalidade da licitação. Estamos discutindo um serviço que, na nossa avaliação, piorou. A população precisa de atendimento seguro e profissionais capacitados", afirmou. 


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