Substitutivo vai regulamentar trânsito de caminhões
Ao final da audiência pública realizada no último dia 20 de outubro, o presidente da Câmara Municipal, Geovaci Peres, sugeriu o prazo de 30 dias para que seja apresentado o relatório da comissão a ser formada para coletar sugestões para um novo texto para o projeto que regulamenta o trânsito de veículos de mais de 12 toneladas pelas ruas de Jataí.
Autor do projeto original, o vereador Ediglan Maia afirmou que, depois disso, será elaborado um substitutivo com a assinatura de todos que colaborarem na confecção do trabalho. A comissão será coordenada pelo superintendente Municipal de Trânsito, Lucimar Cardoso, e vai contar com representantes dos caminhoneiros, empresários e outros segmentos da sociedade.
Depois de abrir os trabalhos ressaltando a importância da discussão do assunto, Geovaci Peres passou a palavra a Ediglan, que explicou que a audiência ocorreu para que o texto seja aperfeiçoado. “O projeto não está pronto”, afirmou ele. “Só estará quando recebermos todas as informações e sugestões de vocês, apesar de todos os segmentos terem sido ouvidos para que o projeto fosse elaborado, em 2009. Mas queremos ouvir a todos, sem excluir nenhuma categoria”.
O parlamentar lembrou que Jataí hoje conta com cerca de 53 mil veículos, três rodovias federais e muitos veículos transportando cargas pelo município. “Hoje temos veículos que transportam pesos altíssimos”, disse Ediglan. “Em Goiânia há limite de oito toneladas em determinados quadrantes da cidade ”.
O titular da Superintendência Municipal de Trânsito (SMT), Lucimar Cardoso, citou o trabalho de mestrado da professora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas-SP) Margarida Maria Lourenço Cruz. Segundo ela, o automóvel é o veículo que mais prejudica o trânsito das cidades, havendo necessidade de restrição à sua circulação. A professora alerta que, se os motoristas de caminhão puderem trafegar por qualquer via, eles sempre optarão por aquelas que são mais usadas pela população local, causando transtornos no tráfego. O estudo conclui que a circulação deve ser restrita, pois a melhor solução é aquela que proporciona mais qualidade de vida à população.
Plínio Ortiz, ex-vereador e atual chefe da Divisão de Agricultura Familiar da prefeitura de Jataí, defendeu a classe dos caminhoneiros. “É mais fácil proibir que agir”, protestou. “Temos outros problemas a serem discutidos, como a falta de sinalização no viaduto, a situação das estradas estaduais e outros. Com o Detran no Centro da cidade, como os caminhões seriam levados para a vistoria?” Ele pediu a retirada do projeto e a formação de uma comissão para elaborar outro texto.
O vereador Ediglan Maia informou que o projeto não pode ser retirado por não estar pautado para nenhuma sessão ordinária, mas novamente abriu espaço para colaborações dos diversos segmentos da sociedade para a confecção de um substitutivo.
A ex-vereadora Maria José Lemes, esposa de caminhoneiro, questionou: “Como vão fazer os motoristas que chegam à 1 hora da manhã? Como vão chegar em casa? Primeiro teremos que planejar antes de proibir. Os caminhoneiros trazem riquezas, comida e outros produtos para a cidade. Por isso as autoridades deveriam olhar para a classe com carinho”.
O diretor da Cosan/Raízen, João Batista Saccomano, afirmou que a empresa apoia toda tentativa de regulamentação do assunto. Ele propôs que a SMT coordene e discipline a questão, para que todos os setores sejam contemplados. “Nossos caminhões que vêm de Caiapônia são obrigados a passar pelo perímetro urbano de Jataí para chegar à usina”, revelou. “São veículos muito pesados, o que traz mais transtornos ao trânsito da cidade. Vários segmentos devem ser consultados, principalmente o Sindicato dos Caminhoneiros, donos de postos e outros estabelecimentos”.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Jataí (Acij), Lázaro Elandi, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) deveria ser chamado a participar da discussão. Segundo ele, falta sinalização aos motoristas que chegam a Jataí pela BR-060 e que precisam acessar a BR-158, o que os leva a trafegar por várias vias da cidade.
O vereador Nelson Antônio da Silva exaltou a abertura que a Câmara de Jataí proporciona para que a sociedade discuta projetos de seu interesse, o que não se verifica em alguns parlamentos. De acordo com ele, deveria ser permitida a entrada na cidade somente de veículos munidos da nota fiscal da carga. “Carretas sem carga deveriam ser proibidas de transitar por nossas ruas e avenidas”, disse ele.
O comerciante Paulo Duarte prega que se deve encontrar o quadrante pelo qual os veículos pesados não poderiam trafegar e estabelecer horários para carga e descarga. Ele propôs ainda a implantação do estacionamento rotativo, para que o trânsito jataiense não se inviabilize em curto prazo.
Segundo o vereador João Rosa Leal, o consenso será alcançado para que comerciantes e caminhoneiros não sejam prejudicados. “Sem caminhoneiro, não existe progresso”, asseverou ele. “Não vamos prejudicar vocês”.
A representante da direção regional da Associação dos Caminhoneiros e do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte, Helena Ortiz, também tocou na questão do lugar onde guardar os caminhões, quando o motorista chega de viagem. “Ele só pode guardar na porta de casa”, afirmou ela. “Não há lugar para guardar caminhões. Os postos estão abarrotados, especialmente na época da safra. Se esta lei for aprovada, vai prejudicar muita gente. Deveria ser revista também a questão do horário”.